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Gato Pardo

Para quem não conhecia, saiam enquanto é tempo...Para quem já conheceu, puxem duma cadeira...Vem aí a versão 2.0...

Todos sentimos a perda, sejamos nós o que formos

Hoje dei por mim a relembrar-me do porquê de gostar muito mais dos animais do que do ser humano.

Dirigi-me para o carro que estava estacionado junto a um jardim e acendi um cigarro. Enquanto desfrutava do meu vício matinal antes me de colocar em marcha, dei por mim perdido em pensamentos quotidianos, mas os quais não conseguia de todo alinhavar devido a um chilrear crescente. Após uma procura mais atenta, encontrei o responsável. Um comum pardal, pousado no chão. Ao lado de outro pardal que jazia imóvel. Morto.

Desconheço a razão. Apenas sei que naqueles 5 minutos que se arrastaram por uma eternidade, o sonoro pardal não vacilou do lado do seu companheiro. E aquilo tocou-me profundamente. Os animais têm atitudes mais humanas do que os próprios humanos. Sentem a dor da perda talvez melhor que nós.

Tomei a única atitude que me pareceu digna. Tomei o corpo tombado do animal e dirigi-me a um canteiro de roseiras que poucos dias antes havia ali sido tratado. A terra ainda revolta. Cobri o corpo já frio e assim fiquei em silêncio. Respeito.

Espero que ele tenha tido uma vida plena. Que tenha planado este mundo e o outro.

Enquanto seres humanos, deixamos muito a desejar. Os animais ensinam-nos lições valiosas.

Porque é que um gajo se mete em obras? Porque está farto de ter sossego...

Obras.

O apogeu da bricolage, pintura e afins.

Ou seja, tudo aquilo que pago para fazerem por mim.

Posso dizer com algum grau de certeza que a minha habitação neste momento tem semelhanças preocupantes com uma Estrela da Morte semi destruída com andaimes espalhados por tudo quanto é metro quadrado, baldes de tinta a torto e a direito, rebarbadoras, plainas, rolos, pincéis e derivados. Ou isso, ou os estaleiros de Viana (tirando que aqui, não me recordo de algum dia se terem construído embarcações).

Previsão de fim de obras? Imprevisível.

Previsão de descoberta de achados arqueológicos? Não sei, não estou a prever convidar o Mário Soares e e Cinha Jardim para beber café.

Previsão destes trolhas me entregarem a casa em condições dignas de habitabilidade? Percentagem altíssima. Sou pior que cão de fila (ou gato, neste caso). É o que eu quero e como eu quero. Infelizmente, não é é quando eu quero, que seria para ontem.

Aliás, se alguém me disser que se meteu em obras e conseguiu dá-las por terminadas dentro do prazo previsto só tenho a dizer uma coisa. MENTIROSOS!!!

Coisas didáticas que se ouvem de soslaio em acções de formação

- Olha lá, onde é que eu enfio esta coisa?

- Este ícone parece um dildo...

- Nunca mais chega o coffee break, preciso de recuperar energias...

- Este software f*de-me toda...

 

Resumindo e concluindo, o que supostamente seria uma formação de software mais parece uma visita de estudo ao Elefante Branco.

A tecnologia realmente tem coisas curiosas.

What you see is not quite what i am at the moment

Torna-se extenuante mostrarmos ao mundo que nos encontramos sempre bem. Principalmente, quando não estamos.

Quando atravessamos daquelas fases em que adorávamos ressuscitar o gajo responsável pela teoria de Murphy, simplesmente para termos o prazer sádico de lhe fazer a folha e mandá-lo de volta para o Além.

Não ando bem vai para mais de três semanas. Demasiados problemas, demasiadas preocupações, demasiadas questões. Poucos sabem do que se trata, o que tem levado a inúmeros problemas adicionais. Atitudes que tomei pensando serem as correctas, saíram-me pela culatra. Magoei pessoas que me são importantes sem a intenção de o fazer. Não as posso censurar pelas suas palavras. Afinal de contas, o que as pessoas desconhecem não podem pesar na balança.

Pensava que a Páscoa traria alguma serenidade. Puro engano. Quando julgamos que as coisas simplesmente não podem ficar piores, eis que o carrossel da vida dá mais umas voltas e acabamos piores do que já estávamos. Dá vontade de perguntar...Já paravas, não? É que tudo o que é demais, já enjoa. E porra, se eu estou enjoado...

Sinto-me um truque de magia. Fazer acreditar as pessoas em algo que simplesmente não está lá. E neste momento, isso define na perfeição tudo. A minha calma, ponderação, senso comum, humor.

Nada disso existe em mim de momento.

Sinto-me destruído.

Uma caixinha catita que permite pesquisar as entranhas dos últimos anos de posts. Muito útil, principalmente porque nem eu já me lembro de metade do que escrevi...

 

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